Revista sãopaulo

Revista São Paulo

Nota de Manuel da Costa Pinto na Revista sãopaulo, da Folha de S.Paulo, do dia 23 de junho de 2013

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COMMUNICATION BREAKDOWN

Communication breakdown, it’s always the same
Havin’ a nervous breakdown, a-drive me insane, yeah”
Led Zeppelin

como um
i
entre emes
trancado em
mim

palindrômico
pesadelo
autoclaustrofóbico

pena perpétua
em mim me
prende

sem acesso
fora de área

sem porta sem
drive sem ponte
sem sinal sem
rede sem canal

como um
i
entre emes
trancado
em mim me
rende

POESIA E PORRADA

para José De Paula Ramos Jr.

punch

 

De tanto tomar porrada

pedrada cuspe tapão

engolir sapos

cobras e lagartos

mascar rancor

saco roto de pancadas

eu

insulto

calei.

 

E petrifiquei

recusa muda

feito coisa só res-

saca só sono só res-

sentimento.

Minha poesia nada rala

que de ira se irrigava

secou

esquecida e rara.

Só lia e nada

impactava.

Tédio recato tédio

nos versos alheios.

E eu repetia falas sagradas

estante estéril

mote metralha

no esforço

de relembrar

o inverso do bocejo:

“Estou farto do lirismo comedido”

“Fera para a beleza disso”

“Te escrevo fezes”

“Mas ainda não é poesia.”

E agora que impera o chato

o gesto eco

o versinho pré-parnaso

o correto dito certo

pé no gesso

regrado

pé no saco

dispenso a pose polida

e disparo petardos

incertas pedras

chutes feridas

de pé descalço

arrisco sem meta

ou metro estimado.

 

Eu

insulto

revolto o gesto.

Solto minha rocha em versos

pedras-de-raio

estrelas cadentes

chuva de meteoros indigestos.

Porradas, vinde: voltei.