Lascaux

no cinema de Lascaux
(imagem sobre imagem)
cortes:
séculos de Klee

recortes de cores
nos desenhos do Kane
nas vozes bellae
(Billie & Ella)
nas suas pernas cruzadas
em frente à tv

mágico quase acaso
colorindo
(como que sem querer)
a caverna escura
em que a gente se vê

Anúncios

POESIA E DESTINO (para Odesina)

Odesina aos 10 anos...

Odesina aos 10 anos…

cheguei quando
você
estava mais só

arrancado
como quem não queria
so-
frer, so-
breviver

você menina
já sabia bem
o que era perder

trazia no nome (ode)
a poesia (minha sina)
e a fome enorme
de tanta ausência

nossos destinos incrustados
como pedras raras
raridades finas

hoje
tantos anos passados
é diamarsolar
minha tiairmãe
minha alegria

ainda e sempre
destino e poesia.

Paulistana de Verão

paulis

branca
segura a saia
surpreendente e mínima
como quem não
se sabe mostrar

no calor
desacostumada
insegura
atravessa a rua
revela-se quase
sem querer

beleza ZL
descolada
fingida pedra
desce da penha
retrô querendo-se moderna

o vento
leva-lhe a quase
saia
e vê-se a joia
surpresa lapidada
que desaparece na boca quente
do metrô

Frederico Barbosa, 1999

Link para estudo do poema por Susanna Busato

Quando Chove

chuva

Em São Paulo, quando                        

chove,

chovem carros.

                        

Tudo para:

pontes, viadutos, Marginais.

 

E a água retoma

seu curso original:

Anhangabaú, Sumaré, Pacaembu.

                        

Ruas onde eram rios,

ex-rios, caminhos de rato, canais.

Rios sobre ruas,

Avenida do Estado, Via Dutra, Radial.

 

Em São Paulo, quando

chove,

chovem apocalipses

de quintal.