POESIA E PORRADA

para José De Paula Ramos Jr.

punch

 

De tanto tomar porrada

pedrada cuspe tapão

engolir sapos

cobras e lagartos

mascar rancor

saco roto de pancadas

eu

insulto

calei.

 

E petrifiquei

recusa muda

feito coisa só res-

saca só sono só res-

sentimento.

Minha poesia nada rala

que de ira se irrigava

secou

esquecida e rara.

Só lia e nada

impactava.

Tédio recato tédio

nos versos alheios.

E eu repetia falas sagradas

estante estéril

mote metralha

no esforço

de relembrar

o inverso do bocejo:

“Estou farto do lirismo comedido”

“Fera para a beleza disso”

“Te escrevo fezes”

“Mas ainda não é poesia.”

E agora que impera o chato

o gesto eco

o versinho pré-parnaso

o correto dito certo

pé no gesso

regrado

pé no saco

dispenso a pose polida

e disparo petardos

incertas pedras

chutes feridas

de pé descalço

arrisco sem meta

ou metro estimado.

 

Eu

insulto

revolto o gesto.

Solto minha rocha em versos

pedras-de-raio

estrelas cadentes

chuva de meteoros indigestos.

Porradas, vinde: voltei.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s