Make it new

 

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um ano só se torna novo
se feito com o desejo
da sempre revolta, 
de partir do zero, 
recriar-se como ovo,

se criado com a coragem
de quem não se importa
em refazer a viagem, 
abandonar todo conforto

se fruto da necessidade 
de recriar-se sem volta
aventurar verdades
sem mapa sem porto

necessidade, coragem, desejo:
um ano só se torna novo 
sem medo

Frederico Barbosa

Na Lata,  Iluminuras, 2013

SEM NEM

SEM NEM

para Amador Ribeiro Neto

sem crer e

m nada sem

a mais vag

a esperanç

a de mudar

algo assim

parado sem

forças par

a levantar

um grito o

u mesmo fa

lar com ca

lma a resp

eito de sa

ídas possí

veis nessa

coisa seca

sempre cri

se eternam

ente esper

ando o fim

sem crer e

m nada nem

na mais re

mota possi

bilidade d

e levar as

coisas com

calma ou a

lguma tími

da disposi

ção e cora

gem se nad

a pode res

gatar dess

a frieza t

riste do s

ofrer-se f

ardo lento

sem crer e

m nada nem

na palavra

sem crer e

m nada sem

mover um m

úsculo par

a evitar a

decadência

geral de t

odos nos s

entidos tr

avados des

educados n

o todo pas

mo ativo e

mal-cheiro

so lodo fi

ngido de l

eve e novo

verme cont

agioso ser

nem crer e

nem ilusão

sem crer e

m nada sem

vontade de

subir ou c

rescer naq

uilo que s

e chama de

vida e não

passa de i

lusão de ó

tica entor

pecer de t

odos os se

ntidos pri

ncipalment

e o olfato

inevitável

penetrando

incerto co

mo vida fi

nge engano

sem crer e

m nada nem

na fuga ne

m na poesi

a de lutar

nem na beb

ida nem na

droga no d

escontrole

nem na raz

ão sem lóg

ica de sup

or algum s

entido ima

ginário em

tudo que h

á mas cont

inua doend

o sem sent

ido por se

r louco ar

sem crer e

m nada sem

remorso po

r não crer

nem querer

crer nem p

oder ver a

crença dos

outros com

o o remédi

o a seguir

por absolu

ta falta d

e respeito

por qualqu

er sim ing

ênuo mesmo

no vácuo m

ais horren

do da iron

ia intensa

sem crer e

m nada nem

no final n

o apocalip

se das van

guardas ne

m na morte

de qualque

r sonho ou

ou mesmo i

deologia e

em quem af

irma qualq

uer fim de

utopia nem

nas funçõe

s da poesi

a seja par

a seja por

rota aflit

a sem guia

sem crer e

m nada sem

certeza em

cada letra

lida alarg

a a alergi

a ao acord

o cresce a

impossibil

idade de d

iálogo afu

nda o hiat

o com todo

s seguidor

es simples

de suas pr

óprias cer

tezas tont

as e segue

um rio sol

itário não

sem crer e

m nada nem

em saída c

alma nem s

oluções pa

cíficas ne

m revoluçõ

es sangren

tas nem na

via indivi

dual ou no

coletivo s

uicídio co

nsolador n

em na pura

fruição fu

tura dos o

bjetos des

sa arte se

m objetivo

s ou calor

sem crer e

m nada sem

paz ou von

tade certa

sem crer e

m nada nem

na linguag

em concret

a sem crer

em nada ne

m na queda

da históri

a ou furos

no tempo s

em crer em

nada nem n

o silêncio

do nada ne

m sem nada

nem sem se

m nem nada


(Nada Feito Nada,1993)

CERTA BIBLIOTECA PESSOAL 2011

 

CERTA BIBLIOTECA PESSOAL 2011

para João Alexandre Barbosa

  

I

este

você não vai ler

todo

poema é me

nos

sem

leitor as

sim

tão ás

 

II

 

o tanto que

você não vai ler

tanto faz

 

s

importa

o tanto

me

nos

você vi

verá

 

III

 

 

me

surpreendo

nos

seus gestos

eu?

 

 

IV

 

 

som

os

so

mos

 

V

 

o

agora sem lei

tura   sem me

mória

 

sem cura se

m estória

 

o

ago

ra

long

ago

nia

 

VI

 

 

sem poe sem

pai sem boa viagem

 

sem camus sem

eliot sem coragem

 

sem joão sem

paul sem sebastião

 

sem jorge sem

quixote sem obsessão

 

sem dostoievski

sem biografia

sem intervalo

sem poesia sem

sem solução