Na Ponta da Língua

o desejo na ponta da língua
não de falar-me
ter-te
na ponta da língua
não de te falar
percorrer-te
na ponta da língua
ser-te
certeira flecha

o amor (ah, este inconfundível mistério)
se apronta
na ponta da língua

vadia aponta
a língua vazia
e busca na boca
(alheia)
o gosto que
te recheia

e quer lábios
e se contorce
dentro da boca
(própria)
como em autobeijo
querendo
penetrar na boca
(alheia)

e se despede
como quem se despe
como quem pede
ar
sem fôlego
sem coragem
só couraça
coração sem

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2 pensamentos sobre “Na Ponta da Língua

  1. Pingback: » Poesia do Dia! Frederico Barbosa, Na ponta da Língua! Ouça aqui! Meu vício é o verso! E vice-versa!

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